O jovem tambor

O jovem tambor

A ‘Batalha de Gettysburg’ (1 – 3 de julho de 1863), ocorrida nos arredores e dentro desta cidade na Pensilvânia, foi a maior em número de vítimas fatais durante a Gerra Civil dos EUA, além dos inúmeros feridos; entre os quais havia um jovem recém-chegado ao serviço militar e precisava amputar os membros (braços e pernas). Quando o enfermeiro foi medicá-lo antes da cirurgia ele recusou. O médico João aproximou-se na tentativa de convencê-lo, disse: quando você foi encontrado no campo de batalha estava semimorto, foi trazido ao hospital com poucos sinais vitais, perdeu muito sangue, precisa de medicamentos fortes, pois será submetido a uma cirurgia de alto risco. Tentaremos ajudá-lo, mas precisaremos da sua colaboração.

O rapaz respondeu: quando criança eu entreguei minha vida a Jesus e aprendi a confiar sempre nele, não será diferente agora durante as amputações. O médico interrompeu e pediu autorização para dar uma dose de bebida alcoólica forte e ouviu como resposta: ainda na infância minha mãe fez um voto a Deus para que eu nunca provasse bebida alcoólica, pois meu pai foi viciado até morrer e não quebrarei este voto justamente hoje prestes a comparecer na presença de Deus.
O médico ficou numa situação difícil, mas admirou a postura do jovem mesmo diante da morte e fez grande esforço para ajudá-lo, até mandou chamar o capelão que imediatamente reconheceu o jovem soldado Carlos a quem disse: lamento vê-lo nesta situação difícil. E ouviu como resposta: não se preocupe, o médico está me ajudando e se o meu Salvador Jesus me chamar agora, irei feliz. Disse o capelão: não vai morrer, mas caso aconteça qual é seu último desejo? Carlos respondeu: por favor, retire minha Bíblia debaixo do meu travesseiro, dentro dela encontrará um endereço para enviar a mesma juntamente com uma carta. Desde que saí de casa, todos os dias eu meditei na Palavra de Deus e orei por meus familiares.

Que mais poderei fazer por você? Perguntou o capelão ao que Carlos respondeu: por favor, escreva outra carta para meu professor da Escola Dominical na Igreja, em Sands Street, Brooklin, NY. Eu recordo constantemente seus estudos, orações e conselhos; os quais me acompanharam na vida e agora diante da morte. Certamente Deus abençoará sua vida e desejos. Carlos disse ao médico: Sr. João estou pronto, prometo nem gemer enquanto amputar meus membros mesmo sem medicamento, apesar dos receios o médico concordou e tomou um estimulante iniciar a longa e dolorosa cirurgia. Enquanto tinha seus membros amputados Carlos suportou e como um valente soldado apenas sussurrou: Jesus suportou muito mais por mim!

A cirurgia foi exaustiva e ao final o médico foi descansar, mas as palavras de Carlos ecoavam: Jesus suportou muito mais por mim! Sem conseguir dormir, o médico retornou ao hospital sem ser chamado, pois desejava rever Carlos. Na chegada foi informado que quase todos que tiveram membros amputados não resistiram e morreram. Assustado perguntou: como está Carlos? O enfermeiro respondeu: dormindo, depois da visita de um grupo de jovens que leram a Bíblia, fizeram oração e cantaram louvor com a participação de Carlos! O médico se interrogou: é possível cantar diante do sofrimento?

Cinco dias depois da cirurgia, Carlos pediu para chamar o médico que imediatamente atendeu ao chamado e ouviu: Sr. João a minha hora está próxima, nem verei o amanhã, estou pronto para partir, mas antes de morrer agradeço de coração sua ajuda, por favor, fique comigo nestes últimos instantes de vida, embora não acredite, Jesus está sempre comigo! «[...] lhe chamarão Emanuel que significa ‘Deus conosco’.» (Mt 1.23). Apesar do esforço, o médico não conseguiu permanecer, faltou coragem para acompanhar o feliz e valente soldado de Jesus mesmo na hora da morte. O médico retirou-se apressadamente da enfermaria e foi para seu consultório; meia hora depois o enfermeiro o procurou e disse: Sr. João, Carlos deseja vê-lo. E ele respondeu: estive com ele há pouco e não pretendo voltar. Completou o enfermeiro: mas ele disse que precisa falar com o senhor antes de morrer.

O médico atendeu ao pedido e foi ao encontro de Carlos planejando despedir-se com breves palavras. Mas ao entrar na enfermaria percebeu que eram os instantes finais e por isso, sentou-se ao lado da cama, Carlos segurou a mão do médico e disse: Sr. João eu amo senhor e meu melhor amigo o ama muito mais! O médico perguntou: quem é seu melhor amigo? Respondeu Carlos: Jesus, a quem desejo apresentá-lo em vida. Nunca se esqueça: Sr. João, enquanto amputava meus membros, eu orei a Jesus e pedi sua salvação.

Estas palavras comoveram o médico que não compreendia como Carlos enquanto vivenciava momentos difíceis pensava nos outros e em Jesus. Minutos depois acabou para sempre o sofrimento de Carlos. O médico presenciou a morte de muitos soldados em seu hospital durante a guerra, mas acompanhou apenas o funeral de Carlos, que fora vestido com uniforme novo, sepultado num caixão de oficial, coberto com a bandeira dos Estados Unidos e sepultado com todas as honras. As palavras de Carlos marcaram o conceituado médico João que apesar do grande conhecimento, desconhecia a fé em Jesus igual a de Carlos, mas não se tratava de ciência, mas de uma experiência pessoal. O médico nunca esqueceu o valente soldado de Jesus, a quem resistiu por muitos anos, até que finalmente a oração de Carlos foi ouvida e o médico se rendeu e experimentou o amor Jesus.

Passado um ano e meio, o médico João estava em Nova York e visitou a igreja que Carlos frequentava no Brooklin, durante a reunião levantou-se uma senhora e disse: talvez esta seja minha última oportunidade de testemunhar sobre o amor de Jesus. Em consulta médica, soube que quase não tenho mais pulmões e pouco tempo de vida, mas me alegro, pois em breve reencontrarei meu filho no céu, um soldado de Jesus e da nação, ferido na ‘Batalha de Gettysburg’, que teve os membros amputados, faleceu pouco tempo depois da cirurgia. Alguém me enviou sua Bíblia com uma carta onde relatava que nos instantes finais Carlos chamou seu médico e disse: Sr. João, enquanto amputava meus membros, eu orei a Jesus e pedi sua salvação. Coincidência ou divina providência? No final da reunião, o médico aproximou-se da mãe de Carlos e disse: prazer em conhecê-la, sou o médico João, muito obrigado por seu filho, a oração dele foi respondida, hoje Jesus é o meu salvador!

A medicina, os medicamentos e os profissionais da saúde são virtudes divina que amenizam o sofrimento humano. O exemplo de Carlos é admirável: «Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Jesus Cristo. Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou.» (2Tm 2.3,4). Mas o exemplo de Jesus é inegável: «Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.» (Is 53.4,5). «Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» (Jo 3.16).

Estimado leitor, caso deseje outras publicações nos escreva. Atenciosamente, Notas:

  1. Nesta adaptação foi atribuido nome ao médico com o objetivo de falilitar a leitura.
  2. As citações da Bíblia Sagrada são da Nova Versão Internacional (NVI). São Paulo: Editora Vida / Sociedade Bíblica Internacional, 2001.
  3. Billy Graham, Decision n. 34 / Versão de Alberto Praça / Adaptado por Good News Brazil, 2014.
O jovem tambor