Justificação

Justificação

Há séculos o patriarca Jó fez a pegunta atual: «[...] Mas como pode o mortal ser justo diante de Deus?» (Jó 9.2). Justificar significa declrarar justo. É um termo judicial que indica o anúncio de um veredito de absolvição, excluindo qualquer possibilidade de condenação. Na Bíblia Sagrada, o termo justificação é invariavelmente contrastado com condenação (cf. Dt 25.1; Rm 5.16; 8.33,34). As exigências da lei de Deus contra o pecador foram plenamente satisfeitas. A justificação não é derivada da negligência, descuido ou alteração na justiça de Deus e suas exigências, mas sim ao fato de todas as exigências divinas terem sido cumpridas em Cristo. «Por meio dele (Jesus), todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela lei de Moisés.» (At 13.39). «Ele (Jesus) foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação.» (Rm 4.25). Quando o homem crê em Cristo, isso é creditado em seu favor por Deus, o justo Juíz que sentencia com justiça a absolvição — «justificação».
Alicerce da justificação: A vida de perfeita obediência à Lei por parte de Cristo e sua morte expiatória que pagou a penalidade do pecado são as bases para a justificação do pecador: «Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!» (Rm 5.9). «Sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus.» (Rm 3.24). A sentença judicial de Deus para o pecador é a morte, posição desesperadora, ou seja, todo esforço que o pecador faça será inútil para livrá-lo da condenação. A eficácia da justificação do pecador encontrada-se no fato da pena de morte ser atribuída a um subistituto imaculado e santo. «Jesus tornou-se, por isso mesmo, a garantia de uma aliança superior. Ora, daqueles sacerdotes tem havido muitos, porque a morte os impede de continuar em seu ofício; mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus.» (Hb 7.22-26). «Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.» (1Pe 1.18-20).
Justiça justificadora: «justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, [...] Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; [...] Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei [...] visto que existe um só Deus, que pela fé justificará os circuncisos e os incircuncisos.» (Rm 3.22,25,28 e 30). O pecado é contra Deus, que ao mesmo tempo julga e defende o homem: «Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.» (Rm 8.33). Deus não é injusto no que faz; e antes de liquidar a questão do pecado, conforme suas exigências, impossibilitado de ser justificador dos ímpios. Apesar do amor pelo pecador e dor pela miséria trazida pelo pecado, a justiça impedia que a graça se manifestasse enquanto não fossem satisfeitas todas as determinações de Deus. Todavia, com a morte de Cristo, Deus demonstra a todos sua justiça. «Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.» (Rm 3.25,26). Podem agora manifestar-se a misericórdia, a graça e o amor; Deus pode abençoar, conforme o desejo do seu coração, ao pecador remido pela morte de seu Filho Jesus. A graça de Deus reina pela justiça. Deus ao justificar o pecador procede conforme sua soberana graça extensiva a todos. Mas porque somente alguns são justificados? A bênção é recebida também pela graça, não segundo o mérito pessoal. «[...] o salário do homem que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida.» (Rm 4.4). «Sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;» (Rm 3.24,25). Como explicar a diferença entre aqueles que foram dos que não foram justificados? Simplesmente, porque alguns aceitam e outros rejeitam o que Deus oferece. A justificação é possível a todos; porém, é realidade apenas para aqueles que crêem. «Sabemos que ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado.» (Gl 2.16). «[...] a promessa vem pela fé, para que seja de acordo com a graça [...]» (Rm 4.16).
Fé e obras: Paulo escreve sobre a justificação vertical, entre o homem e seu Criador, Deus. «[...] o homem é justificado pela fé [...]» (Rm 3.28). «Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus.» (Rm 4.2). Porém Tiago escreve sobre a justificação horizontal, entre o homem e seu semelhante. ‘De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: ‘Você tem fé; eu tenho obras’. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’, e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé. Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta.» (Tg 2.14-26).
Todos precisam ser justificados: Desde a entrada do pecado no mundo o homem mostra de todas as formas sua completa ruína, injustiça e incapacidade de auto justicicação perante Deus. Entregou-se à depravação, rebelou-se contra Deus. Transgrediu a Lei e desprezou a graça de Deus. «Não há nenhum justo, nem um sequer;» (Rm 3.10). Debaixo da condenação é impossivel desfrutar paz, é preciso perdão e justificação. Alguém mesmo perdoado sente incômodo diante de quem o perdoou, porém desfruta a libertação na presença de todos e principalmente com Deus após justificado. «Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens.» (Rm 5.18). Este texto bíblico apresenta os contrastes entre dois homens e as conseqüências de suas ações. Adão pecou, o que resultou na morte dele de toda raça humana por imitar seu exemplo. Porém, Deus enviou Jesus, ele não pecou e ainda morreu na cruz para dar vida a todos. «Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos. A lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.» (Rm 5.19-21). «Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus,» (Rm 8.1).
Estimado leitor, caso deseje outras publicações nos escreva. Atenciosamente,

Notas:

  1. As citações da Bíblia Sagrada são da Nova Versão Internacional (NVI). São Paulo: Editora Vida / Sociedade Bíblica Internacional, 2001.
  2. Adaptado por Good News Brazil, 2014.
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