A rosa branca

A rosa branca

Conta um evangelista londrino que numa tarde de verão, caminhava vagarosamente no cais do Tamisa, dirigindo-se a uma conferência onde seria o preletor. Porém, um estranho pressentimento o fez diminuir o rítmo dos passos, e por alguns instantes observou as águas tranquilas, pensando nos séculos de história que as margens do velho rio havia testemunhado. De todos aqueles que caminharam ao longo das margens do belo rio, quantos encontraram a paz de Deus?
    Quando recomeçou a caminhada, sua atenção foi surpreendida pelos movimentos de uma jovem que com determinação se aproximava perigosamente do limite do cais. Algo na atitude da jovem preocupou o evangelista que se aproximou dela. Mas ela se afastava nervosa, olhando ao redor assustada, como se procurasse fugir. Vestida de luto intenso, o que ressaltava o contraste do seu aspécto pálido e sombrio, seu olhar transmitia um sofrimento tal, que o evangelista ficou impressionado e falou:
    «Por favor, me desculpe dirigir-lhe a palavra sem conhecê-la, mas sou um evangelista e estou indo a uma reunião para estudar a Palavra de Deus. Se desejar me acompanhar será bem-vinda, venha comigo! Você está visivelmente angustiada e talvez lá conheça alguém que lhe socorra.» Com desprezo a jovem respondeu: «Não, não quero ir à igreja nem conversar com evangelistas. Afaste-se, deixe-me em paz!»
    Naquela tarde, o evangelista ganhou uma rosa branca de sua hospedeira. Embora não usasse flores na lapela, aceitou e a colocou na botoeira. Por um impulso do momento, pegou na rosa e ofereceu a jovem. Foi um gesto ousado, mas não reprimiu e disse: «por favor, pelo menos aceite esta rosa como símbolo do amor de Deus por você» Ela recuou alguns passos, como que estivesse se sentindo ameaçada, mas emocionada estendeu a mão e pegou a rosa com lágrimas nos olhos. O evangelista também falou sobre uma instinuição onde ela poderia encontrar ajuda e seguiu para seu compromisso.
    Quase duas horas mais tarde, quando finalizava a conferência, o evangelista avistou a jovem de longe dentro do auditório. Ela levantou-se e foi à frente em resposta ao convite que ele fizera. Começou a falar com hesitação, mas depois continuou indiferente ao olhar da multidão presente. Em pranto ela falou: «Ouvi o convite para vir a Jesus, e desejo conhecê-lo. Você acha mesmo que Ele é capaz de salvar uma pecadora como eu, que planejava tirar a própria vida hoje à tarde, pois não posso continuar por mais tempo vivendo desta forma. Estava prestes a pular no rio, quando você apareceu e fez o convite. Recusei grosseiramente, então você ofereceu-me esta rosa branca...»
    Ela continuou: «Eu, a princípio recusei, mas depois aceitei, pois era igual à rosa favorita da minha mãe, que ela me deu quando abandonei o lar. Ao segurar esta rosa, ouvi a voz da minha mãe e recordei suas palavras: ...minha filha, contra a minha vontade você abandona seu lar e sua mãe que a ama, para se aventurar numa vida de pecado. Quando você estiver longe e ver uma rosa branca, lembra-se sempre que a sua mãe ficou orando por você dia e noite, para que regresse sã e salva.»
    A jovem acrescentou: «Hoje à tarde, esta rosa branca e pura fez-me pensar sobre meu triste estado e ver o perigo que me cerca. Reconheço que preciso de ajuda, arreperdo-me e admito que é necessário mudar o caminho da minha vida, se ainda for tempo... Você disse que existe alguém interessado e disposto a me socorrer. Acredita mesmo que esta pessoa esteja disposto a aceitar uma pecadora como eu?»
    O evangelista abriu a Bíblia e leu: «... Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer, não pereça mas tenha a vida eterna.» (João 3:16). «... Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como a púrpura, como a lã se tornarão.» (Isaías 1:18).
    Ela ouviu atentamente e depois se ajoelhou com lágrimas. Quando se levantou renascida, seu primeiro desejo foi voltar para o lar e para os braços materno. Os anos passaram, e aquela jovem que vivia nas trevas do pecado, foi salva das garras do suicídio, foi transformada numa nova criatura pelo poder de Deus. Ela tornou-se uma exemplar seguidora de Jesus Cristo e uma grande evangelista, testemunhando a muitos o eterno amor, o perdão e a salvação de Deus.
(Tradução de Alberto R. Praça)

A rosa branca